domingo, 1 de setembro de 2013

1) A Borboleta - (linda história!)

            A Borboleta

   Como todos os garotos travessos, eu tinha a mania de colocar-me em  complicações.
   Depois, para sair delas, saía correndo para pedir o auxílio de mamãe.
   Ela, porém, sem irritar-se e nem repreender-me, sempre encontrava um meio de deixar que eu me desembaraçasse sozinho.
    Para mim, aquilo significava que ela estava se recusando a auxiliar-me.
    Eu, me revoltava em silêncio, sem poder compreender.
    
         Em uma manhã, às vésperas da primavera, ela gritou o meu nome no jardim. 
         Fui ver o que era.
         
               Mostrou-me um casulo castanho, firmemente preso a um ramo de cipreste.
               - Veja, disse-me interessada. A borboleta já está se agitando ali dentro.
          De fato, o pequenino casulo parecia até pular, e aquilo me deixou impaciente.
          Eu tinha um canivete no bolso, tirei-o, abri-o, e, sem consultar mamãe, disse-lhe:
               - Vou ajudar essa coitada de borboleta a sair daí de dentro.
               Mamãe simplesmente curvou-se sobre o meu ombro, acompanhando a operação.
               Mas, para minha decepção, o que saiu lá de dentro, nem era uma larva, e nem era           uma borboleta.
               Extremamente frustado eu olhava o estranho animalzinho quando mamãe me    
         afagou  os cabelos e disse com especial tom de afeto na voz:
              - Meu filho, ainda não era o tempo certo. A lagarta estava ativamente trabalhando   
         com  uma finalidade: adquirir forças suficientes para que, como borboleta, pudesse 
        alçar vôo muito acima de um mundo onde estava acostumada a arrastar-se.
               Eu olhava penalizado, imaginando a lagarta marrom e feia, a rastejar. E a    
          multicolorida e cintilante borboleta viajando nos raios do Sol. Minha mãe continuou:
               - Sem se preocupar em pensar e compreender, você abriu o casulo com o seu   
        canivete. O bichinho lá dentro, não pode esperar o seu tempo e amadurecer...

               Eu estava com o fato diante de meus olhos: - o pequenino ser vivente agora já não          podia, nem voar, nem rastejar.
               E entendi o que mamãe queria dizer. O “bichinho” ao qual ele se referia, éramos  
        nós, as crianças.

               Se eu dependesse, indefinidamente de alguém para resolver os meus problemas,           jamais teria capacidade para me desenvolver, isto é, assumir atitudes corretas,   
       madurecer, deixar de rastejar como uma criança que engatinha e chegar a ter um 
       espírito próprio e independente, capacitado aos mais altos voos.
                Nunca mais me esqueci daquele insciente.

          A luta da vida, é vencida por etapas: - cada uma delas nos prepara para a luta     
       seguinte.
          E a harmonia, a ordem perfeita da Lei que rege a Vida, garante a cada um de nós os         meios para a vitória.
          Não se situam lá fora, estão em nosso íntimo.
         E, por isso, o auxílio melhor é aquele que vem de nós mesmos, em nosso próprio    
     favor.
            do livro "E Para O Resto Da Vida" de Wallace Leal V Rodrigues

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